Ao mesmo tempo em que a competição com carros chineses dificulta a vida das fabricantes de automóveis tradicionais, as fabricantes chinesas tornaram-se parceiras em projetos importantes e abriram a possibilidade de um negócio: a locação das suas fábricas.
De um lado, marcas estreantes correm para estabelecer produção no Brasil para evitar impostos adicionais e para poder aumentar suas vendas no Brasil sem depender tanto da importação de carros. Do outro, fabricantes já estabelecidas querem ocupar a capacidade produtiva ociosa há anos e que muitas vezes corresponde a mais da metade da fábrica. Agora, há uma espécie de competição pela produção de carros da Dongfeng, que está adotando o nome DFM no Brasil.
De um lado está a Stellantis, com quem a Dongfeng já tem uma joint-venture sendo estabelecida para não só fabricar carros como também vender os modelos da submarca de luxo Voyah. As duas corporações também já têm desenvolvimento em conjunto em curso, de acordo com a Stellantis.
O interesse da Stellantis seria ocupar a capacidade ociosa da fábrica de Porto Real (RJ), onde são produzidos os Citroën C3, Aircross e Basalt, além do Jeep Avenger. Operando em dois turnos, a capacidade da fábrica é de 130.000 unidades anuais e poderia escalar para até 180.000 com um terceiro turno. Mas o que produz efetivamente hoje ficava abaixo de 70.000 carros antes da estreia do Avenger.

O rio Paraíba do Sul separa Porto Real de Resende (RJ). É na outra margem onde está a fábrica da Nissan, de onde saem o Kicks e o Kait em um ritmo de 90.000 carros por ano, sendo que a fábrica tem capacidade para 200.000 carros/ano.
Nissan e Dongfeng já se conhecem há muito tempo, têm joint-venture há décadas. Na verdade, elas têm uma das maiores e mais bem-sucedidas parcerias automotivas da China, onde já dominaram em vendas. Ela produz veículos da Nissan e da Infiniti para o mercado chinês.


A Frontier Pro, versão híbrida plug-in da picape média, e uma nova família de carros elétricos vendidos como Nissan foram criados a partir de carros da Dongfeng. Estes modelos, inclusive, rodam em teste no Brasil e podem estrear até 2027.
A DFM tem a meta de produzir carros no Brasil em 2028, mas ainda em 2026 decidirá onde. Conversas acontecem tanto com a Stellantis quanto com a Nissan, pois o negócio seria interessante para as duas. Mas a decisão passa pela matriz chinesa, que é quem está bancando a entrada da DFM no mercado brasileiro.
O que é certo é que, assim que a fábrica for definida, começará um esforço para reformar a planta para passar a montar carros importados no regime CKD. Mas o objetivo é nacionalizar as peças posteriormente – e facilitará muito se a fabricante parceira também produzir localmente carros com a mesma plataforma.
Outras parcerias
A Dongfeng não seria a primeira a utilizar a fábrica de outra empresa no Brasil. A GAC montará seus carros na fábrica da HPE, representante da Mitsubishi, em Catalão (GO). A fábrica da Comexport em Horizonte (CE) já monta carros chineses da Chevrolet e em 2027 começará a montar carros da MG. E a Geely comprou parte da operação da Renault do Brasil para utilizar a fábrica de São José dos Pinhais (PR), onde a montagem de carros chineses começará em setembro.
